Cariri Cultura Destaques

Morre Mestre Bigode; Cultura regional perde um de seus maiores ícones e prefeitura publica nota de pesar

Juazeiro do Norte e o Cariri perdem um dos grandes nomes da Cultura Popular. Morreu no dia de ontém (12 de agosto), aos 94 anos, Manoel Antônio da Silva – Mestre Bigode. O brincante agora alegra os campos celestes com as cores da tradição.

A Prefeitura de Juazeiro do Norte, por meio da Secretaria de Cultura, lamenta profundamente, essa perda irreparável para a arte popular, numa terra símbolo da tradição.

O Prefeito Municipal, Arnon Bezerra, transmite votos de pesar aos familiares, amigos, e a todos que formam esse grande ‘caldeirão’ cultural do Cariri, que neste momento choram a perda do Mestre Bacamarteiro.

O corpo do Mestre Bigode será velado, a partir das 13 horas deste domingo, 13, na sua residência, à Rua Maria Otília, 726 – Cidade de Deus, em Juazeiro do Norte.

Na segunda-feira, 14, às 8 horas, será realizado no local do velório cerimonial funerário, e, em seguida, o corpo será transportado para o Cemitério São João Batista, no Município juazeirense.

 

Cortejo da tradição

Às 9 horas da segunda-feira, 14, será realizado um cortejo com os grupos de tradição popular, na Avenida Castelo Branco, em homenagem ao Mestre Bigode. Os brincantes seguem até o cemitério, onde ocorrerá o sepultamento, às 10 horas. Uma salva de tiros dos bacamarteiros, que com tristeza se despedem do seu Mestre, será dedicada a ele, nesse momento da partida.

 

Mestre Bigode – *4/07/1923 / 12/08/2017

Manoel Antônio da Silva nasceu em 4/07/1923 na cidade de Iguatu. Aos vinte anos veio residir em Juazeiro do Norte e desde então dedicou a vida a trabalhar com a cultura popular. Na arte do Maneiro Pau e dos Bacamarteiros se tornou o Mestre Bigode. O Grupo de Bacamarteiros Padre Cícero foi criado e liderado por ele, há cerca de cinco décadas.

Na década de 90 durante as romarias, Mestre Bigode com o seu grupo de Bacamarteiros recebia os romeiros no largo do Socorro fazendo uma salva de tiros ao nascer do sol. Uma grande roda se formava para assistir aquele grupo de homens que dançavam e cantavam vestidos de cangaceiros. No centro da roda uma faixa estava escrita: ‘Meu padim, estamos aqui para te defender’. A fé e o trabalho defendem a arte.

Em 2004, Mestre Bigode recebeu do Governo do Estado do Ceará o Certificado de Mestre da Cultura e, em 2017, a Universidade do Estadual do Ceará (UECE) concedeu o Título de Notório Saber em Cultura Popular, um reconhecimento como um Patrimônio da Cultura Cearense.

Nos despedimos de um Mestre da Cultura com reconhecimento e gratidão. Desejamos força a seus familiares que, nesse momento, recebem o abraço de todos os brincantes da arte Cariri. Que a arte de Mestre Bigode siga viva em nossas memorias.

 

Escreva seu comentário